ESPIRITUALIDADE SEM CONCIENCA SOCIAL É TEATRO DE AUTO AJUDA

12/17/20251 min read

Não é à toa que, dentro da religião de Umbanda, as manifestações são do povo Preto, dos indígenas, das crianças, dos marginalizados, das mulheres, boêmios, sertanejos, trabalhadores e trabalhadores rurais, pescadores, ribeirinhos, imigrantes, etc.

Esse povo se manifesta para preservar a cultura, para trazer força e caminho a todos os que os reverenciam através da calunga, a junção dos dois mundos.

E reverenciá-los sem levar para o seu dia a dia, seus ideais e seu contexto histórico de luta, é perder tempo, é o mesmo que apertar a mão do opressor em comum acordo de aceitação da opressão recebida.

24 de maio foi dia de Santa Sara e, para o umbandista, foi o dia para homenagear o povo cigano.

Um dia lindo, e sim, é valido todo tipo de homenagem.

Mas, do que adianta saudar Sara e o Povo Cigano, sendo que não dá a mínima ao povo imigrante?

Do que adianta, usar com xenofobia para atacar todos os que em sua visão não são bem-vindos em seu País, como africanos, refugiados de guerras como sírios e palestinos, ao povo do oriente, principalmente chineses que durante essa pandemia virou alvo de um racismo étnico altíssimo, e todos os que vem de seus países de origem, tentar oportunidade em nosso país.

Esse povo imigrante é a manifestação da linha cigana, na prática.

As comunidades ciganas no Brasil pedem ajuda. As pessoas passam por uma vulnerabilidade social absurda, enquanto isso, você prefere exaltar com desperdício de comida em seu terreiro e fazendo festa para abusar de um portunhol fajuto.

Por isso, toda kizomba é reflexo da nossa sociedade. É a exaltação do povo.

Todo toque no atabaque é revolução.

Toda defumação vem para expulsar qualquer preconceito étnico.

O gole da marafa é para introduzir goela abaixo o conceito de respeito ao seu próximo.

A gira é para podermos entender que a liturgia do sagrado é coligada ao conceito de sociedade.

Sem isso, é apenas uma positividade toxica, um grande teatro de autoajuda.